Lince-Ibérico

O FELIDEO MAIS AMEAÇADO DO MUNDO

O lince-ibérico é uma espécie de mamífero da família Felidae e género Lynx. Anteriormente considerado uma subespécie do lince-euroasiático, o lince-ibérico está agora classificado como espécie separada. As caracteristicas comuns são as suas orelhas peludas, pernas longas, cauda curta e um colar de pelo que se assemelha a uma barba. Ao contrário dos seus parentes mais próximos, o lince-ibérico tem uma cor castanho-amarelada com manchas.

Até ao século XIX, o lince-ibérico ocupava a totalidade da Península Ibérica. Contudo, durante o século XX, a partir dos anos 40 sofreu um declínio muito acentuado. Foi nesta altura que se deu início às campanhas do trigo que levaram à transformação de uma grande área de bosques e matos em extensas searas, destruindo o mosaico de habitat necessário à sobrevivência da espécie.

Na década de 50, com o aparecimento da mixomatose na Península Ibérica, e, mais tarde, da doença hemorrágica viral – duas doenças infecciosas que diminuíram em quase 90% as populações da sua principal presa, o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) – a situação do lince-ibérico agravou-se. Já nos anos 70 e 80 as plantações intensivas para a indústria da celulose (eucalipto e pinheiro-bravo) vieram deteriorar ainda mais o habitat desta espécie. No início dos anos 90 a população ibérica seria apenas de cerca de 1200 animais e, em Portugal, a espécie só estaria presente em três áreas principais (Serra da Malcata – São Mamede, Vale do Guadiana, Vale do Sado – Odemira – Serras Algarvias), perfazendo um total de não mais que 45 indivíduos.

Esta primeira estimativa de um reduzido número de animais, veio confirmar a situação preocupante da espécie para a qual já havia alertas desde a década de 50.ctualmente só está confirmada a existência de duas populações reprodutoras (Doñana e Andujár-Cardeña no extremo Oriental da Serra Morena), e o último censo indica que os efectivos totais se situarão abaixo dos 150 indivíduos adultos. Estas duas populações estão isoladas entre si o que ainda as torna mais vulneráveis. Os efectivos actuais não são suficientes para a sua sobrevivência a longo prazo e os especialistas concordam que se encontra no limiar da extinção. Em Portugal os territórios de distribuição histórica da espécie, são: Sítio de Rede Natura de Monchique; Sítio de Rede Natura do Caldeirão; Parque Natural do Vale do Guadiana; Sítio de Rede Natura de Moura/Barrancos e Parque Natural Serra da Malcata. (Fonte: LPN- Programa Lince)

Foram várias as causas que ao longo das últimas décadas levaram ao rápido declínio das populações de lince-ibérico, em termos de número de indivíduos e de área de distribuição da espécie. Mas o quase desaparecimento deste carismático felino deveu-se essencialmente a duas ameaças principais: a regressão da sua principal presa (o coelho-bravo) e a perda e deterioração do seu habitat. A diminuição drástica do coelho-bravo nos últimos 50 anos deveu-se sobretudo a doenças virais, perda de habitat adequado (como consequência do abandono das práticas agrícolas tradicionais), e algumas práticas cinegéticas desadequadas.

Já a perda do habitat do lince é atribuída à substituição dos matagais e bosques Mediterrânicos por plantações de espécies florestais exóticas e/ou de crescimento rápido (e.g. eucalipto, pinheiro-bravo) destinadas à produção florestal intensiva, campos de monoculturas intensivas e extensas pastagens. Por outro lado, a construção de grandes infra-estruturas como barragens e estradas, o sobrepastoreio e os incêndios florestais em áreas de habitat óptimo para esta espécie, também têm contribuído para a deterioração e fragmentação do seu habitat. Embora com menor importância, existem outros factores que contribuíram para a diminuição do lince-ibérico, entre os quais: morte não natural (e.g. atropelamentos, furtivismo); perturbação humana nas áreas de reprodução; e falta de informação (desconhecimento do importante papel ecológico que a espécie desempenha no ecossistema).

As doenças (e.g. tuberculose bovina, vírus da leucemia felina) também representam um sério risco à sobrevivência deste felino, tendo em conta que se trata de uma espécie geograficamente isolada, com populações com uma reduzida diversidade genética e, portanto, mais vulneráveis. O risco é maior em áreas em que o lince-ibérico partilha o seu habitat com outras espécies silvestres ou domésticas portadoras destas doenças infecciosas. (Fonte: Progama Lince - LPN)